O Corvo – Capítulo 1

Enfermeiras sussurravam magias de cura, mas as vozes delicadas eram abafadas pelo som de gemidos e gritos de dor. O ar pesava com o cheiro de pólvora e sangue. Corpos de elfos noturnos jaziam enfileirados do lado de fora do hospital improvisado, despedaçados demais para qualquer tentativa de restauração; uma visão que certamente faria cientistas mortos-vivos lamberem os beiços podres.

A elfa cambaleou para fora da tenda e sentiu o sol forte da Cordilheira fazer arder a área da pele que não estava protegida por ataduras. A pupila do olho esquerdo contraiu-se dolorosamente rápido, mas ela não sentiu nada no olho direito. As enfermeiras haviam conseguido restaurar a forma do órgão, mas não a visão ou a sensibilidade.

À sua frente estendiam-se os cânions da Cordilheira das Torres de Pedra.  Era fácil imaginar o seu corpo em queda livre abismo abaixo, talvez colidindo contra pedras e troncos mortos.

Ouvir os próprios ossos quebrando, no entanto, ainda seria menos perturbador do que a lembrança da noite anterior. O som de trompas. O calor de tochas. Passos ritmados de orcs em marcha.

Sob o sol inclemente o cheiro de morte se tornava cada vez mais cáustico. Ao sentir-se sufocar com o apodrecimento dos mortos, a elfa notou que a sua mão esquerda havia se fechado em um punho. Ela sentiu as próprias unhas sendo cravadas na palma esquerda.

A mão direita permanecia imóvel na tipóia, como um lembrete das suas falhas.

Interlúdio

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